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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pobre gosta de luxo, azulejo e iPad!

"Pobre gosta mesmo é de luxo, gosta de se vestir bem, comer bem, morar bem e beber bem.
Esse negócio de que pobre não gosta de coisa boa é invenção de rico." (Luiz Inácio Lula da Silva)

Desde que criamos o projeto iPad Na Sala de Aula, pioneiro em mesclar capacitação de professores e pedagogia no uso da ferramenta, vivemos numa maré que varia do ame-o ao deixe-o. No time dos que amam, estão aqueles que enxergam neste aparelho um revolucionário suporte à educação, colocando na mão de professores e alunos até então inimagináveis recursos de mídia. No time dos que odeiam, encontram-se os bravos defensores do software livre, dos sistemas não-proprietários e dos tablets "baratos". 

Nós adotamos o dispositivo da Apple por diversos fatores. Entre os mais relevantes, cito a pesquisa prévia sobre conhecimento/intenção de aquisição (todas as escolas pesquisadas mencionaram o iPad e não outro tablet); uniformidade e suporte (ao contrário do Android, onde cada dispositivo possui uma versão diferente, o iPad possui apenas uma, atualizada automaticamente pela Apple quando necessário); segurança (que no Android Market ainda deixa muito a desejar, possibilitando a presença de apps maliciosos) e disponibilidade de aplicativos. Em nenhum momento se pensou em favorecimento da marca - nosso o objetivo do projeto não é vender iPads. Como almejávamos capacitação e harmonia entre o aspecto pedagógico e o técnico, tanto importava o equipamento escolhido. Se as escolas, na pesquisa prévia, assim tivessem respondido, o projeto seria Android na Sala de Aula - mas não foi assim.

Em resumo, adotamos o iPad pois percebemos o perigo de mais uma excelente ferramenta como o tablet ser desperdiçada por falta de capacitação dos professores (que geralmente são os últimos a serem consultados em qualquer projeto deste tipo). Outras tecnologias são tão boas quantas, mas o que aconteceu? Temos o UCA (Um Computador por Aluno), as lousas digitais, os projetores multimídia... tudo isso muito lindo e geralmente jogado na sala de aula sem nenhuma capacitação de quem irá usá-los - os professores! E depois, a culpa é deles quando as coisas não funcionam...

Alguns detratores dizem que e-readers poderiam substituir o iPad, com baixo custo, no projeto. Só que e-readers são isto - tablets para leitura, não mais. Em termos de multimídia, é como comparar um radinho de pilha com um Blue-Ray.

Outros se apegam à romântica questão do "software livre" (que, de livre, não tem nada - pergunte à qualquer gerente de TI que implementou Linux pois a "diretoria" não queria mais pagar por licenças do Windows…e depois, teve que contratar programadores). Dizem que os professores e as crianças ficarão "escravos" do iPad, um "ecossistema fechado…ora, a Apple disponibiliza em seu site todas as ferramentas gratuitas para qualquer pessoa desenvolver aplicativos para Mac, iPhone, iPad e Safari. Ontem mesmo li uma reportagem sobre um menino de 8 anos que, cansado dos jogos que já tinha, criou 2 aplicativos para o iPhone e já ganhou 800 dólares com isto…

E, finalmente, há quem diga que certo está o governo, que gastará até 180 milhões com a aquisição de 900 mil tablets. Isto dá, em média, 200 reais por tablet. Questiono seriamente a qualidade destes equipamentos. E, respondendo a um recente post que criticava nosso projeto: "O que seria melhor: oferecer e-readers para (digamos) 1 milhão de alunos, ou tablets multimídia para 100 mil?", eu digo: NENHUMA DAS OPÇÕES SERIA MELHOR. E invoco o presidente Lula, quando ele diz que pobre gosta de luxo. Só que gosto de interpretar este "pobre" como o pobre professor, que sofre com carga horária e salário incompatíveis com a dignidade e responsabilidade do cargo. E o luxo? O luxo é ter pelo menos ventilador na sala de aula, merenda, livros e recursos decentes, antes da implementação de tal arroubo marqueteiro do governo. Enquanto tivermos um dos piores índices internacionais de educação, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de nada adianta colocar um tablet na mão de cada professor. 

De nossa parte, sabemos que o iPad na Sala de Aula é um projeto que, sozinho, não conseguirá mudar a educação no Brasil. Mas uma coisa temos certeza: mudará a vida de alguns professores.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A polêmica do iPad na escola

Começa a se discutir a validade ou não, em nossa lastimável realidade educacional, da inclusão dos "tablets" -  em especial o iPad, na sala de aula. 
De um lado, estão os detratores de plantão, que vão dos menos esclarecidos (que atacam qualquer iniciativa, principalmente se ela vem do governo e se o governo for do PT) aos mais esclarecidos (que apresentam números e fatos indicando serem muitas as prioridades antes de se pensar em tablets na sala de aula).
Esta semana, um embate muito interessante está ocorrendo no Jornal 247 (www.brasil247.com.br). Um editorial denominado "Vá em frente, Mercadante" (leia aqui) comenta o texto intitulado "A pedagogia da marquetagem", publicado pelo jornalista Elio Gaspari na Folha de São Paulo (o texto de Gaspari na íntegra, está no corpo do artigo).  Afirmando que o jornalista "pisou na bola" ao defender que a inclusão digital com iPads é pura ação marqueteira, o 247 gerou uma avalanche de comentários - prós e contras.
É irônico ver que o setor da educação, de onde se esperaria inovação e produção de conhecimento de alto nível, seja um dos mais estagnados do Brasil. Nossos alunos do século XXI estudam em escolas do século XIX. Se a odontologia tivesse andado ao mesmo passo da educação no país, provavelmente em sua próxima consulta você seria anestesiado com clorofórmio e seu dentista usaria uma broca de pedal. 
Infelizmente, nosso Brasil ainda é Terceiro Mundo em vários aspectos e Primeiro Mundo em poucos. Logo, não podemos nos dar ao luxo de dizer "OK, vamos primeiro consertar a educação e depois implementar os iPads na sala de aula". Não dá. Temos que fazer tudo ao mesmo tempo - claro, com qualidade, bom senso e pedagogia adequada. Na sala de aula atual, os grandes estímulos transformadores vêm de fora, e não mais do professor. E, para sobreviver a esta nova sala de aula, o professor precisa mudar.   Como diz Máximo Gorki, no final de "Pequenos Burgueses", nas palavras do bêbado Teteriev que não mede palavras com o pequeno burguês Bessemenov, que após a saída do filho de casa expulsa todos à sua volta: 
“Não grite, velho... Você não pode mandar embora todos os que te atacam. Não se preocupe, o seu filho volta! (...) Quando você estiver morto, vai reformar alguma coisa deste estábulo... vai mudar os móveis de lugar... e vai viver como você vive agora... tranqüilo, razoável, acomodado... (...) Vai mudar os móveis de lugar, e vai viver com a consciência tranqüila de que cumpriu plenamente o seu dever perante a vida e os homens... É completamente idêntico a você! (...) Completamente idêntico, covarde e bobo! (...) E será, com o tempo, tão avarento como você. Tão seguro de si mesmo, como você... tão mau, como você... E um dia... será até infeliz como você é agora!... A vida avança, velho, e quem não avança ao lado dela, fica só! Como você...”

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você conhece o TED?

Hoje quero falar um pouco do TED (www.ted.com). O TED (Technology, Entertainment and Design) é um projeto global de palestras. Nele, conferencistas de todo o mundo têm no máximo 18 minutos para expor suas idéias. Eles acreditam que o poder das idéias pode mudar atitudes, vidas e, como consequência, o mundo.

Através de um sistema colaborativo, o TED possui tradução para mais de 40 línguas. Desde sua criação, em 1984, acumula mais de 1.000 palestras online, que já foram vistas mais de 50 milhões de vezes.

O mais legal é que o TED estimula e permite a organização de eventos independentes, locais, com temas específicos de interesse das comunidades. Estes eventos são denominados TEDx - Independently Organized TED Events. No dia 29 de novembro, participei do TEDx Unisinos, em Porto Alegre, cujo tema foi Inovação na Educação. Não é necessário dizer que o evento foi sensacional, pelo conteúdo e organização. Veja um pouco AQUI.

Quero compartilhar com vocês duas palestras que assisti no TED, por indicação do Blog do TEDx Unisinos 2011 e que achei sensacionais. Não esqueçam de "ligar" a tradução do vídeo!

A primeira delas é "Aimee Mullins e seus 12 pares de pernas", onde esta mulher, que nasceu sem as fíbulas e teve suas pernas amputadas com 1 ano de idade, fala como é poder escolher sua altura, entre tantas outras coisas que ela aprendeu em sua vida ("Pamela Anderson tem mais prótese no corpo do que eu, e ninguém a chama de deficiente!").



A segunda é de Ethan Zuckerman, "Escutando as vozes globais". Esta fala por si!

sábado, 15 de outubro de 2011

Dia da Vergonha

Nos tempos modernos de hoje é muito bacana ver a mobilização popular que conseguimos com apenas um post no Twitter. Basta alguém dar um espirro de um jeito que você não gostou e PRONTO, lá vai o #espirronao pros Top Trends Brasil e, no ano seguinte, pode esperar uma passeata com 500 mil pessoas na Avenida Paulista, no Dia do Orgulho do Nariz.

E antes que eu seja tachado de homofóbico, racista, misógeno, publicitário (Hope, essa foi pra você, rsrs) ou qualquer outro artigo da nova Constituição Moral Brasileira, quero deixar claro que sempre fui a favor de qualquer minoria.

Só ando meio chateado é com a maioria burra.

As minorias têm, e sempre terão, direito à manifestação e à defesa contra seus históricos preconceitos. Só que hoje, tornadas maioria justamente pela voz que "interessados" lhes dão, estão (na minha opinião) levantando as bandeiras erradas.

Eu sou do tempo em que vovó dizia, "tem que se cortar o mal pela raiz".
E cortar o mal pela raiz passa por EDUCAÇÃO.

Se eu bater com uma lâmpada na cabeça de um homossexual na rua? Faltou EDUCAÇÃO.
Se eu chamar alguém de "negão"? Faltou EDUCAÇÃO.
Se eu bater na minha mulher e nos meus filhos? Faltou EDUCAÇÃO.

Posso ficar aqui listando coisas pra você até o Dia do Professor do ano que vem. Mas não é o caso.

É incrível não percebermos o júbilo da classe política a cada passeata de orgulho ou movimento social onde eles podem, depois, desfraldar aquela bandeira e dizer "NO MEU GOVERNO nunca antes houve tanto avanço social..." - mas é claro, isto nubla nossa visão dos REAIS problemas da sociedade!

É tanto Dia do Orgulho pipocando a cada semana que daqui a pouco não vai ter dia disponível. Porque seria legal termos alguns Dias da Vergonha.

Dia da Vergonha da Política.
Dia da Vergonha da Saúde.
Dia da Vergonha do Trânsito.
Dia da Vergonha dos Impostos.

AH, e falando nisso: Dia do Professor, hoje. Dia da Vergonha da Educação.
Nunca é tarde pra gente ver (e rever sempre!) o vídeo da Professora Amanda Gurgel.

Eu adoraria não precisar (com todos os impostos que eu, você e todos pagam) pagar plano de saúde particular. E também que meus filhos estudassem (como eu estudei) numa escola municipal.

Mas não dá. Não tenho coragem. Isso não tenho vergonha de admitir.
O que me envergonha, na realidade, é que isso não junta nem mil pessoas na Paulista.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Gaúcho, o 'Melhor do Mundo'

Esta mentalidade de “melhor do mundo” só é prejudicial ao Rio Grande do Sul. Fico estupefato ao ler que o Sr. Nelson Proença (em nota publicada no Jornal Zero Hora de 29/07) preocupa-se que empresas de “fora” tenham interesses aqui no estado. Desde quando isto é ruim? Se sua empresa tem excelência e competitividade, venda-a e crie outra! Assim vamos pra frente, economicamente e como um povo globalizado. O conceito “Polar NO Export” - aquele da famosa cerveja, é tão nocivo aos gaúchos quanto a “Lei de Gerson”. Depois, reclamam que estamos atrás de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador... se duvidar, até de capitais muito menos expressivas e com muito menos potencial. Chega de arrogância, gauchada! Com a educação, recursos, consciência política e fronteiras internacionais que temos, vamos começar a pensar grande - e humildemente, talvez, sendo um pouco mais brasileiros...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Me dão um giz, um quadro e querem que eu salve o Brasil?

Professora Amanda Gurgel: sou seu fã. Quisera eu que seu discurso fosse visto em rede nacional, no horário nobre. Quisera eu estar nesta sessão, para aplaudi-la. Quisera eu ver o constrangimento dos políticos presentes.