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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você conhece o TED?

Hoje quero falar um pouco do TED (www.ted.com). O TED (Technology, Entertainment and Design) é um projeto global de palestras. Nele, conferencistas de todo o mundo têm no máximo 18 minutos para expor suas idéias. Eles acreditam que o poder das idéias pode mudar atitudes, vidas e, como consequência, o mundo.

Através de um sistema colaborativo, o TED possui tradução para mais de 40 línguas. Desde sua criação, em 1984, acumula mais de 1.000 palestras online, que já foram vistas mais de 50 milhões de vezes.

O mais legal é que o TED estimula e permite a organização de eventos independentes, locais, com temas específicos de interesse das comunidades. Estes eventos são denominados TEDx - Independently Organized TED Events. No dia 29 de novembro, participei do TEDx Unisinos, em Porto Alegre, cujo tema foi Inovação na Educação. Não é necessário dizer que o evento foi sensacional, pelo conteúdo e organização. Veja um pouco AQUI.

Quero compartilhar com vocês duas palestras que assisti no TED, por indicação do Blog do TEDx Unisinos 2011 e que achei sensacionais. Não esqueçam de "ligar" a tradução do vídeo!

A primeira delas é "Aimee Mullins e seus 12 pares de pernas", onde esta mulher, que nasceu sem as fíbulas e teve suas pernas amputadas com 1 ano de idade, fala como é poder escolher sua altura, entre tantas outras coisas que ela aprendeu em sua vida ("Pamela Anderson tem mais prótese no corpo do que eu, e ninguém a chama de deficiente!").



A segunda é de Ethan Zuckerman, "Escutando as vozes globais". Esta fala por si!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Blogagem Coletiva: Como era ser criança na minha infância.

By Daniela Moreno
Quando a Ingrid me falou sobre esta ideia da blogagem coletiva, pensei em fazer um texto.

Só fiquei preocupado em não produzir algo melancólico, porque ando meio intrigado (pra não dizer irritado) com as comparações que leio insistentemente, querendo mostrar um passado pretensamente melhor do que o presente (que nossos filhos vivem).

Então, pisando em ovos para não parecer um velho chato, lá vai...



TOP 10 KIDS FACTS DA MINHA INFÂNCIA


1) SEGURANÇA. Ou melhor, a falta dela. Até hoje me surpreendo com o fato de chegar da escola às 13 horas, almoçar e... sumir. Atrás do prédio onde eu morava existe ainda hoje um terreno imenso, com campo de futebol, árvores, muita grama... era ali que nossa 'gangue' se reunia e de onde só saía quando ouvíamos, um a um, o chamado das mães (aos gritos, na janela). Isso quando chamavam.
Esta é a realidade de quem foi criado sem neuras, e (creio) causando pouquíssimas neuras nas mães. Live and let die. Hoje, vejo por experiência própria o quanto cercamos nossos filhos numa redoma imposta pelo mundo. Com 7 anos eu tinha o triplo de arranhões que hoje tem a minha de 8 e o meu de 2 anos. Subi muito mais em árvores. Fazia fogo. Brincava com água quase que diariamente. Ainda tinha um sítio da vó para passar as férias. Por outro lado, viajávamos para perto ou longe sem cinto de segurança! Desnecessário dizer que nem cadeirinhas existiam. Ou pior, existiam mas eram simplesmente acopladas no banco, sem cinto, sem nada. Imagina fazer uma viagem (como fizemos) de Porto Alegre a Florianópolis, eu e minha irmã, brincando naquele mini-bagageiro que existe atrás do banco do Fusca?

2) ALIMENTAÇÃO. Desde que o mundo é mundo, a alimentação básica' do brasileiro é arroz, feijão e carne. O que varia são os complementos. Neste campo, muito do que sou hoje em termos alimentares vem do que herdei em família. Nossa casa não era o que se pode chamar de 'pródiga' em termos de vegetais; ainda hoje, para mim fruta é banana e 'vegetais' são basicamente tomate, couve e alface. Claro que gosto (e como) todo o resto, mas a cultura verde não é algo que se instalou em mim. Diferente da Ingrid, que tem uma cultura alimentar ótima em termos de variedade. Mas aqui vai um ponto: mesmo que minha sogra tenha apresentado a ela uma variedade muito maior do que minha mãe fez comigo, com certeza não era por CULTURA ALIMENTAR SAUDÁVEL, e sim por gosto. Ela gostava e fez isto com os filhos. Hoje, ao introduzirmos na alimentação da gurizada os vegetais, cereais e sucos indispensáveis, o fazemos por saber da QUALIDADE e VALOR desta alimentação, principalmente para o futuro desenvolvimento. No nosso tempo, era ROLETA RUSSA. Quem teve esta chance, parabens! Agora, ponto pra nós: lembro que salgadinho era algo CARO, logo DE VEZ EM QUANDO. Refrigerante não era caro, mas era chato: lembre que não tinha latinha e mesmo as garrafinhas pequenas deviam ser repostas, logo você tinha que tê-las em casa, logo pouco comprava-se refri! Era mais nas festas de aniversário... Isso ninguém pensa, né? Em nosso tempo, o reciclável era um conceito que funcionava... sacolas do supermercado eram de papel!!!

3) EDUCAÇÃO. Estudei até a quinta série numa escola municipal. Até hoje lembro detalhes muito nítidos deste período: a adaptação inicial, os medos, o descobrimento... Brincadeira, para os meninos, se resumia em bolitas de gude e futebol. O tempo todo. 24 horas por dia. Um eventual álbum de figurinhas entremeava estes dois esportes da nação masculina em 1975. Entrei na escola sabendo ler, e levei na boa estes primeiros anos. Lembro que nesta escola a criatividade era muito estimulada. E lembro principalmente da qualidade das professoras. E da merenda gostosa, que minha mãe ajudava a fazer e da qual eu sentia o maior orgulho... Depois, acabei passando também pelo Colégio Santa Inês e terminei o segundo grau na E.E. Florinda Tubino Sampaio - o famoso TUBINÃO. Lá, fui colega do Flávio Basso (Ex Cascavelletes e atual Júpiter Maçã) e convivi com o Fabrício Carpinejar, que na época estudava no Leopoldina mas circulava no colégio. Cult, não?

4) BRINQUEDOS. Que eu lembre, na minha infância brinquedos eram fabricados pela Estrela, pela Atma e pela Xalingo. E o preço variava nesta escala, de maior para menor. Destaque para os 'games' de tabuleiro! Banco Imobiliário, WAR, Detetive, Front... e parava por aí, também, porque a oferta não era muito grande. E, claro, tinha o Forte Apache, com cavalos, índios e vaqueiros, e aqueles bloquinhos clássicos, pintados de vermelho e verde, com a cúpula dos prédios triangular em vermelho. Existem até hoje...Uma coisa que me marcou bastante foi um kit gigantesco da Hering-Rasti (veja uma imagem aqui), com motores e tudo (para criar carrinhos e cataventos), que ganhei num destes natais da década de 70. Seria o equivalente ao Lego atual - só que com uma qualidade e complexidade bem maior.

5) TECNOLOGIA. Eu não tive iPad, iPod, iPhone. Não tive Xbox ou Playstation. Conheci de perto e usei muito máquina de escrever. Telefone era de discar, daqueles cinzas, grandões, e em Porto Alegre você  discava 6 números para falar com alguém. Conheci TV preto-e-branco. Conheci TV com seletor de canais de girar (que era a primeira coisa a estragar). Conheci antenas de TV de alumínio - que a gente entortava sem querer e pendurava Bombril na ponta, pra pegar melhor. O mais perto de tecnologia que cheguei na infância foi um Telejogo Philco (olha ele aqui!) que meu pai alugou - sim, porque Atari só veio com a adolescência.

6) LEITURA. Se tem uma coisa que meus pais sempre incentivaram, desde a tenra infância, foi o hábito da leitura. Lembro da mãe ter comprado a Enciclopédia Conhecer (12 volumes) e Os Bichos (5 volumes). Bem, com 6 anos de idade eu já tinha lido cada uma delas mais de uma vez. Além disso, o pai sempre que podia comprava revistinhas da Turma da Mônica, Pato Donald, Tio Patinhas e Zé Carioca. O orgulho de minha coleção era tanto que em diversas oportunidades coloquei todas as revistas na cama, para dormir comigo. Claro que acordava soterrado de revistas. Isto é algo que levei para a vida e que estou conseguindo, junto com a Ingrid (outra leitora ávida), passar para nossos filhos.

7) TELEVISÃO. Eram 6 os canais disponíveis na minha infância. Me marcaram muito Vila Sésamo (que comecei a assistir em preto-e-branco), Sítio do Pica-Pau Amarelo e Os Banana Split. Também destacaria o programa do Palhaço Tampinha e o Remendão. E os desenhos? Bom... neste quesito eu tenho certeza que esta época foi a época de ouro do desenho animado. Senão vejamos: Os Herculóides, Shazan, A Pantera Cor-de-Rosa, o Tamanduá e a Formiga, Space Ghost, Os Monstros Camaradas, O Urso do Cabelo Duro, Johnny Quest, A Corrida Maluca, Bom Bom e Mau Mau, Mr. Magoo, Tutubarão, Maguila o Gorila, O Poderoso Mightor... são muitos. E finalizo com aquele que foi o ícone da minha infância: ULTRAMAN!

8) SEXO. Só veio tardiamente, e na adolescência. A curiosidade normal havia, porém nada comparado ao que vejo hoje, ao saber que já circulam revistas 'adultas' na turminha de 7 anos, buscam no Google por 'gente pelada' e assistem aos absurdos que passam na TV (aberta e a cabo). Fico me perguntando se é distração dos pais de hoje, desenvolvimento acelerado dessa molecada ou ambos...

9) NÃO. Quando eu era criança, NÃO significava NÃO. E o limiar entre o NÃO e a PALMADA (ou CHINELADA, ou JORNALADA, ou seja lá o que estivesse à mão) não era dos maiores. Desculpem as(os) pedagogas(os), psicólogas(os), Secretárias(os) da Infância e Adolescência... mas não me tornei um serial-killer, espancador de mulheres ou de crianças porque recebi umas boas (e merecidas) chineladas quando era piá. E, pelo que me lembro, todas MUITO bem merecidas.

10) AMOR E RESPEITO. Coitados de meus pais! Se matavam de trabalhar para proporcionar conforto aos filhos. O pai no Banrisul, com várias horas extras, chegava tarde e pouco podia brincar com a gente. A mãe, cuidando da casa, de tudo e de todos (havia deixado o emprego no Estado, quando minha irmã nasceu). Ainda assim, arranjavam tempo e disposição para fazer algo diferente nos fins de semana: um banho na Cascatinha, em Viamão, um passeio ao Parque Saint-Hillaire, uma ida ao Parque da Redenção ou (um dos programas preferidos pelos pequenos Paulinho e Adri), um 'jantar' nos trailers de 'Xis' que, naquela época, eram comuns na Avenida Ipiranga. E, aos trancos e barrancos que era (e sempre foi) criar filhos num mundo em movimento, entendo que lograram êxito em educar duas pessoas que hoje são bem sucedidas como seres humanos e - o mais importante de tudo, os têm como exemplo de amor, dedicação e admiração. Quando às vezes, estou esgotado de tanto tentar ensinar o caminho certo para estas duas cabecinhas rebeldes da geração Z, lembro com carinho deles e sigo em frente, pensando: "-Vai dar certo, e vale a pena!"

domingo, 28 de agosto de 2011

Éramos felizes... e não sabíamos?

Com frequência e reincidência recebo aquelas apresentações de Powerpoint com 6 Mb, que amigos preocupados com nosso bem-estar mental nos enviam. E uma das que mais me chama à atenção é a que diz (variando um pouco o texto, conforme a origem) que "éramos felizes e não sabíamos". Resumindo, uma máquina do tempo nos remete aos anos 40 (ou 50 ou 60, depende), onde brincávamos o tempo todo na rua com pauzinhos e pedrinhas, andávamos por aí sem cinto de segurança, a tv possuía apenas 4 canais, e por aí vai. Ou seja, somos levados a um saudosismo forçado de uma época que nem foi nossa e - o pior - não deixou saudades! Sim, não consigo concordar com saudosistas que pregam serem os anos 50 melhores do que hoje. Nem o apelo da vida "mais natural" cola - não troco uma mesa farta de frutas e verduras, livre de salgadinhos, por tratamentos eficazes para a hipertensão arterial. Ou uma vida mais bucólica e lúdica por tecnologias que diminuem distâncias e colocam o mundo na ponta dos dedos. Ok, se você tem mais de 50, pode ter saudade de sua infância - mas ela foi a SUA infância. Que foi diferente da minha, que por sua vez é diferente daquela experimentada por meus filhos. Seus netos vivem num mundo totalmente diferente, com outras demandas, outros atrativos e outra velocidade. O mundo, cada vez mais, é um lugar melhor para se viver. Você pode pensar que não, que temos guerras, fome, escassez de recursos, divisão injusta da riqueza, etc. Mas pense no todo. A expectativa de vida só aumenta. As mais cruéis ditaduras estão ruindo, uma a uma. A tecnologia está cada vez mais ao alcance das pessoas. E a medicina está nos fazendo viver mais e melhor. Portanto, além de pensar sobre como foi boa a sua infância, pense também que seus netos estão brincando num mundo muito mais interessante.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Lamparina

Essa eu ganhei da Gui, um amor pra lá de especial...

A     L A M P A R I N A

Era uma vez uma lamparina cheia de óleo que vivia se gabando de ter um brilho maior que o Sol. Mas veio uma rajada de vento e... puf! Ela apagou.
Ao acendê-la novamente, alguém lhe disse baixinho: ilumina e cala-te.
O brilho dos astros não conhece o eclipse.